It only takes a minute… and if, and if :(

Na sexta-feira, dia 20, no fim da tarde, o Jerónimo tornou a fugir de casa e há hora de deitar ainda não tinha aparecido, tornei a dormir com o estore aberto à espera que voltasse… sempre aquela preocupação.

Quando escapava, de manhã, estava a dormir no alpendre, mas no sábado ainda nada e eu preocupada, desta vez como que estava com alguma má sensação…

Andei a ver as valas não fosse algum carro o ter atropelado, sempre atenta.

Pelas 14 horas veio a notícia, um vizinho disse-me numa chamada via Messenger que o meu Jerónimo estava morto na linha do comboio… explicou mais ou menos onde, andei até lá o mais rápido que pude,  com a ajuda de uma outra vizinha dei com o local, passei na abertura da rede e 2 ou 3 metros ao lado, entre os carris, estava ele deitado, de lado.

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Agarrei-o ao colo, murmurava “Jerónimo onde te foste meter” e carreguei-o como a um bebé de colo… a vizinha que me tinha indicado como se passava para dentro da linha, queria arranjar um suporte para o levar, que tinha sangue e etc. mas respondi que não fazia mal e descendo de volta à estrada, sempre com ele ao colo como se de um filho se tratasse, assim vim caminhando até casa, as lágrimas a escorrerem, vontade de me deixar cair ali, mas continuei, sempre em frente até casa onde estive um longo bocado com ele ao colo, a embala-lo, a sentir o seu pelo macio, também a ralhar por ter fugido e ido para ali 😦

Tinha medo dos carros, mas nunca pensei que pendesse para a linha até porque ia até aos vizinhos ao fundo do terreno ou aqueles ao pé dos caixotes do lixo… para ali não fazia ideia de que ia e sinto-me culpada, desgostosa, desolada, nem sei o que mais dizer…

E se o tivesse conseguido prender antes dele fugir?

E se não abrisse a porta???

E uma data de SES que neste momento valem apenas e só um redondo NADA.

 

 

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Depois de um bocado a embala-lo, acabei por o pousar no degrau do alpendre e como chorava desalmadamente e não conseguia sequer agarrar numa enxada, fui ter com o meu vizinho que, ainda por cima ouve mal, não estava a perceber o que eu lhe dizia.

Pedi ajuda para o enterrar, decidi que iria ficar ao lado do Gontzal e quando foi possível, lá se abriu a cova e o colocamos ao lado de um outro meu grande amor. Tinha ali uma placa de mármore que fui buscar para lha colocar por cima e já só falta escrever o nome e datas.

O meu filho ligou-me, nem queria acreditar, choramos os dois e também se pôs a ralhar com ele por ter fugido, eu pedi desculpas porque afinal era sobre minha responsabilidade que ele estava e enfim 😦

E esta tarde, com muito tacto, depois de falar sobre as passadeiras de peões e para que servem, depois de explicar que da mesma maneira que os carros andam na estrada e podem atropelar, expliquei que o Jerónimo não sabia os perigos de estar ao pé de um comboio, que não viu e foi atropelado… Disse que foi rápido e que não deve ter sofrido e quero acreditar que assim foi.

Está triste, já choramingou um bocadinho mas fora isso, tudo tranquilo. Quis passar na florista para lhe comprar flores mas expliquei que tenho aqui flores para lhe pormos e daqui a bocadinho vamos as duas plantar Urzes à volta da campa dele e aqui fica.

Urzes à volta do Jerónimo da Quinta da Urze, parecia quase que se estava a adivinhar quando as comprei…

Resta-me ao menos o consolo de saber que terá vivido como um cão extremamente feliz, sei que o foi e ao menos isso… não esperava que fosse embora tão cedo, é o primeiro cão que me deixa tão cedo, mas já não há volta a dar, contra a morte não há soluções, pelo menos para quem morre.

Deixo aqui uma pequena gravação do passado dia 9 deste mês, em que ele brinca com a Valkiria 🙂 Momento feliz de muitos que nestes quase 2 anos os houve 🙂

E dá que pensar como num minuto a vida é de uma maneira e no seguinte, uma cadeia de acontecimentos levam a algo em que já não é possível dar a volta… se calhar não se devia perder tempo sem ser em estarmos bem, em nos sentirmos bem, mas pelo menos para mim é mais complicado do que isso… Se calhar sou eu que estarei a perder, nem levanto duvidas quanto a isso, mas sou como sou.

Também sei que para algumas pessoas era só um cão… para mim é O MEU CÃO, para os meus filhos e família é O NOSSO CÃO e faz toda a diferença, meu companheiro de todos os dias, meu guarda, minha bola de pelo que será sempre lembrado não como um simples cão mas como o meu cão!

Bem, vou colocar as Urzes junto a ele, como se já se estivesse à espera 🙂

Carla

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