🐱 Ciganos que tocam a nossa alma

Apareceu este verão, na Quinta da Urze e com a sua serenidade e empatia para todos, instalou-se… Originalmente preto e branco, já tinha os pêlos a dar para o ruivo, da idade como quando ficamos de cabelo branco e, da vida, efetivamente passada na rua, não estava habituado a festas mas rapidamente percebeu que as festas atrás das orelhas eram boas demais e trincava-me os dedos, sem magoar, a pedir mais festas…

Nas costas ficava nervoso mas até isso aos poucos ia deixando, era campeão a ronronar de prazer com as festas 🙂

Cigano
Cigano deitado no sofá da sala a tentar segurar-me os dedos quando terminava uma festa

Morreu esta noite penso que a quebra acentuada da temperatura lhe deu o golpe fatal… No dia anterior tinha estado a comer com os outros, tudo normal, mas ontem dei pela falta dele, já preocupada chamei até que acabei por o encontrar deitado e muito frio na cadeira preferida do alpendre…

Trouxe-o para a lareira, tentei dar-lhe comida, o que recusou e envolvi-o com o resto de uma camisa pura lã virgem e fui-o virando para o calor de modo a aquecer de forma unânime todo o corpo…

Vim para o quarto mas quando me afastava ele chamava e deixando o banho para a manhã seguinte deitei-o na minha cama, vapores para o ar, botija de água quente e festas atrás da orelha de que tanto gostava, que o tranquilizavam nitidamente e a pedir que aguentasse até de manhã para eu poder pedir ajuda. Passei pelo sono entre as 2 e as 6 da manhã quando acordei naturalmente e constatei que já estava morto.

Serve talvez o consolo de saber que teve nestes últimos tempos de vida o conforto e segurança que nunca antes tinha tido, a confiança ainda a medo que antes desconhecia, as festas que nem o dono original lhe conseguiu alguma vez dar porque por desconfiança ou simples medo não se permitia levar.

Este gato tocou-me especialmente o coração pelo seu carisma, o seu feitio amistoso para todos, a maneira como dava turras de cumprimentos mesmo ao doido do Jerónimo enquanto era envolvido por saltos, pêlos e cauda.

Não há duas sem três… No fim de semana de uma assentada duas das Cobaias da Joana e agora ele. Detesto estes momentos 😦

Falei com os donos que como já não o viam há meses pensavam que teria talvez morrido… Foi o dono que veio aqui abrir uma cova no sítio dos gatos, entre o muro da garagem e o da vala da água.

Lamento mesmo, a sua personalidade era cativante e marcou-me, estou chateada mas já não me permito chorar 😦 não é falta de vontade é mesmo não conseguir.

Aproveitei e fui tirar daninhas do meu canteiro de suculentas, às vezes tem de ser, voltei com vitamina D à farta e cheia de picos de cato na mão mas mais calma.

Sei que passou uns bons últimos meses de vida e é isso que consola mas tenho pena de não terem sido mais.

Carla

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