Pensamentos

Às vezes ponho-me a  pensar no quão estranha é a minha vida ultimamente…

com Maria Papoila
com Maria Papoila

Alterno entre os 6 comprimidos ao longo do dia, uma ou outra arrumação da casa, um pouco de jardinagem diária, gatos para a frente e para trás, ir meter a Joana à escola, ir busca-la e mais ou menos tentar fazer algum exercício com ela, fisioterapia às terças e quintas e pouco mais…

… um bocado como estar nas nuvens …

Começo a ler livros que acabo a por de lado para ler mais tarde ou voltar a ler o que deixei a meio há uns tempos…

É um pouco como se tivesse perdido a minha genica de outrora… Os comprimidos, receitados para a dor neuropática fazem-me mais calma, mais tranquila e menos reativa… Coisas que antes me tiravam do sério, agora são olhadas com calma, com um OK não é nada de especial, com um simples encolher de ombros… Mas bem no fundo e embora toda a gente diga que estou mais calma, a verdade é que não gosto de ser assim…

Praticamente perdi toda a fúria que me era característica na escrita, perdi quase a vontade de escrever, mal pego no diário e normalmente escrevia às 10 páginas de cada vez, com gana, com alento… Agora nem isso… as coisas perderam a importância que tinham antes, algo nesse estilo…

Ao menos uma coisa boa… Nesta baixa prolongada, desde julho e a continuar, voltei a reencontrar-me com as minhas plantas… tinha um autentico jardim em vasos no meu terraço do Montijo e desanimei quando tive de deixar de o regar por culpa do condomínio que, como se provou em tribunal, não tinha razão nas suas queixas… Mas, na altura, ver aquilo ir abaixo fez-me desmoralizar e acabei desinteressada e esquecida daquilo que me fazia sempre ir vistoriar as minhas plantas antes de sair de casa e me ocupava horas ao fim de semana a plantar e replantar tudo e que fazia as vizinhas suspirarem “ai que flores mais lindas” quando vinham estender roupa à janela…

Recolho aqui alguns exemplos desse meu hobby 🙂

Pelo menos já dou por mim de olho aberto sempre à espera de arranjar mais um exemplar para a parte da frente… Todas as manhãs examino planta a planta para ver a evolução, no geral satisfatória, retirar ervas daninhas que querem nascer nas caldeiras e por ai fora… Esta minha constante atenção a tudo o que pode servir para o meu jardim é uma espécie de retomar aos hábitos que tinha no Montijo e que foram mortos pela deceção.

Geralmente faço-o acompanhada por um gato, ou vários… para chamar a atenção tentam deitar-se em cima da planta que estou a examinar 🙂 Ou simplesmente deixam-se estar 🙂

Mas fora isso estou mesmo farta de todo de tomar comprimidos… Mas farta mesmo e com algumas saudades da Carla que se preocupava e que tinha ganas para certas coisas…

Também noto em mim ganas de outras coisas, por vezes estou sem forças e a rebentar e tento sempre esforçar mais e mais… Por exemplo na fisioterapia, ontem até tinha de segurar a perna com as duas mãos para a meter em certa posição mas forçava e forçava e continuava a forçar… Claro que sai de lá absolutamente de rastos e pelo braço do meu pai mas não desisti… aliás, fiz uns 400 metros a andar o que para mim é obra 🙂

É caso para dizer que os comprimidos ainda não bateram a teimosia… só atenuam…

Claro que me queixo de estar farta de tomar comprimidos mas a resposta é que são para a vida 😦 E suponho que sim, que são para a vida, mas não preciso de gostar de os tomar até porque sempre fui das pessoas saudáveis que nem um calmante fraco tomavam… OK menos para ir ao dentista, Valdispert 🙂

Mas acho esta coisa da Esclerose Múltipla uma doença bastante injusta… quem olha para mim nunca diz sequer que estou doente e até pode parecer que não estou… mas é as dormências, as faltas de força e sejamos realista, se em casa estou como estou, como seria se andasse a trabalhar, a conduzir 43 km para cada lado, a andar cerca de 1 km do carro ao emprego… fora os normais stresses do emprego… Provavelmente estaria tão de rastos como quando deixei de trabalhar…

E depois nem toda a gente tem os mesmos sintomas, uns afeta a visão, outros o andar, outros ficam como eu dormentes dos pés à cintura… Depois são os cansaços, as dores daqui e dali… Não é mesmo uma doença fácil ou como ouvi de uma responsável do meu emprego “mas como voce arranjou isso??? parece doença de velho”… Responder mesmo o quê?

Carla

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